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EM BUSCA DE NOVOS CAMINHOS PARA A APRENDIZAGEM

Resumo

Flávia Regina Stur[1]
Márcia Pereira de Souza[2]
Girlene de Fátima Sartori[3]

A presente pesquisa refere-se um procedimento pedagógico realizado na C.E.I.E.F. Ruth Rocha, tendo como base a inclusão dos alunos com necessidades educacionais especiais que tem como objetivo garantir o direito a educação para todos os alunos, proporcionando a participação ativa no processo escolar visando trilhar caminhos antes não percorridos. A equipe escolar deve estar inserida nesse processo como um todo buscando garantir flexibilidade, qualidade, estratégias no âmbito escolar.

Palavras-chave: inclusão – práticas educativas – aprendizagem.
Introdução
A Escola Municipal de Educação infantil e Ensino Fundamental Ruth Rocha do município de Ji-Paraná – RO busca uma educação inclusiva e de qualidade no seu processo ensino aprendizagem.

A educação inclusiva é de grande relevância para propiciar a todos uma educação de qualidade, visando o pleno desenvolvimento da pessoa e seu preparo para o exercício da cidadania como trata á Constituição Federal no art. 205, ao afirmar que todos somos iguais perante a lei, independente de raça, sexo, cor, idade, deficiência ou ausência dela, o trabalho junto à educação inclusiva desenvolve no dia-a-dia da escola vislumbra a diversidade como fator de enriquecimento do processo educacional e enxerga em cada caso que se nos apresenta no decorrer do semestre, uma chance de enriquecimento e ampliação do nosso entendimento e aceitação do nosso público alvo, não só pelos profissionais envolvidos, mas também, da sociedade que interage com esse indivíduo. A resolução CNE/CEB nº 02/2001 declara
“Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos cabendo as escolas se organizarem para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando às condições necessárias para uma educação de qualidade para todos”.
Nesse propósito, a escola procura responder às necessidades de aprendizagem de todas as crianças, jovens e adultos, que estão excluídos da efetivação do direito à educação e que estão fora da escola ou enfrentam barreiras para a participação ativa no processo de aprendizagem escolar para percorrerem novos caminhos.

O atendimento educacional especializado da escola Ruth Rocha é feito através da sala de recursos que por necessidade deste atendimento surgiu no ano de 2005, dispondo de atendimento de apoio e complemento para favorecer a aprendizagem diante das dificuldades específicas do aluno, aprendendo o que é diferente dos conteúdos curriculares do ensino comum e assim, abordando de início os conhecimentos adquiridos através da sua base conceitual e habilidades a fim de abordar métodos e consolidação no processo cognitivo, facilitando sua transição de um estágio para outro, segundo Piaget apud Cória-Sabini (1998, p.142).
“A transição de um estágio para outro se faz dentro de um processo de integração em que as estruturas precedentes tornam-se uma parte das estruturas subseqüentes. A ordem de sucessão dos estágios é constante, embora as idades cronológicas que demarcam determinado estágio possam variar dentro de certos limites, de uma pessoa para outra ou de uma cultura para outra”.
Pensando nisso, a escola procura observar o estágio em que o aluno se encontra, levando em consideração seus conhecimentos prévios para assim propor e elaborar estratégias onde ele possa aperfeiçoar seus conhecimentos, privilegiando o desenvolvimento e a superação de sus limites intelectuais e comunicativos e outros.

Para que essa prática possa atender melhor os alunos é imprescindível que a escola promova adaptações arquitetônicas e assim, os alunos podem usufruir plenamente todos os espaços escolares dentro dos seus direitos e deveres e principalmente alegria de viver. Mesmo sem as condições físicas adequadas, a escola tem produzido projetos no sentido de recursos humanos, o envolvimento dos alunos e participação da comunidade, rompendo com essas barreiras. Confirmando o que diz Macedo (2005 p.37):
“È importante constituir contextos de aprendizagem [...] tais contextos de aprendizagem para os professores são no mínimo, os seguintes: a sala de aula, os centros ou recursos de formação continuada; a relação com os colegas, pais e comunidade escolar; a relação pessoal com livros, computador, leitura e escrita; a participação em palestras, cursos, seminários; a realização de pesquisa e de projetos educacionais”.
O atendimento à diversidade em particular exigirá do professor maior esforço e ajustamento das rotinas, nesse contexto, fazem-se necessário à flexibilidade curricular para modificação dos sistemas de avaliação, planos educacionais e atividades diárias, observando as pistas durante seu processo de aprendizagem.

Quanto às adaptações de pequeno porte, já temos observado esforços do nosso corpo docente para atender as especificidades de aprendizagem dos alunos, conhecendo a natureza de suas necessidades, examinando tanto as suas dificuldades quanto suas possibilidades, relacionando-as com o contexto escolar, têm permitido a tomada de decisões quanto às adequações na resposta educativa das salas de aulas e nas intervenções pedagógico que se fazem necessários. Segundo Carvalho (2003 p.63).
“Educadores que se identificam como profissionais da aprendizagem transformam suas salas de aulas em espaços prazerosos, onde, tanto eles como os alunos são cúmplices de uma aventura que é o aprender, o aprender a aprender e o aprender a pensar”.
É com este pensamento que a equipe pedagógica procura conscientizar cada professor de seu comprometimento com a educação inclusiva, diante dessa necessidade a escola Ruth Rocha realizou um projeto para envolver a equipe escolar, pais e alunado desenvolveu no início do ano letivo de 2007, o projeto “Amigos Diferentes?”, desenvolvido pela coordenação pedagógica, a professora do atendimento educacional especializado e professores da classe comum. As atividades desenvolvidas foram: dinâmicas em grupos, leitura compartilhada, diálogo, filme e teatro com fantoche; tais atividades envolveram diferentes áreas de conhecimento num processo de interdisciplinaridade.

O objetivo do projeto era dar condições de reflexão e incentivo à inclusão dentro do ambiente escolar, promovendo aceitação, integração, convívio harmonioso para o fortalecimento do exercício da cidadania dos alunos com necessidades educacionais especiais, junto aos demais alunos, porém observou-se ter alcançado um objetivo maior e mais amplo, resultando num processo de auto-avaliação, auto-aceitação e auto-apreciação, o que levou esses educando a ocupar lugares não antes ocupados, não só na escola, como também no lar e demais ambientes fora da escola, ou seja, a sensibilização foi um recurso pedagógico que obteve retorno satisfatório, sendo visível à mudança de atitudes dos alunos, rompendo assim barreiras atitudinais provenientes de uma sociedade em que o “pré-conceito” ainda existe de forma oculta e velada, consciente ou inconscientemente fortalecida ou trabalhada na família.

É na escola onde mais se detecta dificuldade ou deficiência e é através do contato com a família que a equipe escolar obtém esclarecimentos e informações a respeito do aluno, concluímos então que é necessário um entrosamento de escola e família para que haja aceitação de possíveis comprometimentos (deficiências mentais, auditivos, visuais e físicos). Esse dado fornecido pelos pais serve de ponto de partida para que o professor e demais envolvidos possam dar um retorno sobre características individuais no que diz respeito à maneira que esse aluno responde as situações de aprendizagem, as quais é exposto no cotidiano escolar, esse dado servem também para que se conheça e reconheça as especificidades do aluno foi através dessa comunicação que publicaram a entrevista citada na Revista Nova Escola com professora Márcia e a mãe Tânia que nos diz a seguinte frase: “estou sempre por perto para orientar no que for necessário, gosto de observá-lo e contar a professora como ele reagiu em cada atividade”, o desenvolvimento do aluno mostra-nos a importância da família como parceiro da escola, assim sendo, é fundamental para a equipe escolar conhecer e buscar as estratégias que a auxiliem no processo de ensino e aprendizagem.

A comunidade escolar oriunda de camadas populares possui dificuldade em ter acesso ao atendimento de saúde, por isso, a escola buscou de maneira prática, parcerias com instituições de saúde pública o auxílio de profissionais como: fonoaudiólogos, psicólogos e outros.

A parceria tem contribuído para melhora significativas no desenvolvimento da aprendizagem de alunos, quando profissional da área mantêm contato, com professores para assessorar o trabalho em sala de aula, em contrapartida, os professores mantêm os profissionais informados quanto a evolução do aluno, possibilitando a avaliação a ser seguida de interferências para o melhoramento constante do processo educativo no acompanhamento sistematizado na reorganização das estratégias para desenvolver um trabalho qualitativo.

Nesse contexto educacional, Mantoan defende uma escola que reconheça a igualdade de aprender como ponto de partida e as diferenças no aprendizado como processo e ponto de chegada. Aceitar e valorizar a diferença na escola significa “mudar de lado” e romper os pilares nos quais a escola tem se firmado até agora.

Dentre todos os contextos vinculados ao processo da inclusão, vale ressaltar que o ambiente de sala de aula é aquela onde o educador tem sua ação mais efetiva, nesta escola busca-se tratar esses alunos de maneira igualitária, valorizando suas potencialidades e levando-os a participarem efetivamente de atividades que favoreçam a construção do conhecimento que deve ser acessível a todos.

Os professores utilizam estratégias diversificadas para que os alunos sintam-se realmente integrados, podendo o professor dentre desse processo, avaliar o progresso do aluno e auto-avaliar-se.

A perspectiva de um ensino para todos aberto às diferenças, avaliando a aprendizagem pelo percurso do aluno no decorrer do ano letivo, leva-se em conta o que ele é capaz de fazer no enfrentamento de novos desafios, na construção de saberes para a organização e participação da vida escolar, considera-se o sucesso do aluno em todas as suas particularidades e em todos os aspectos do seu desenvolvimento.

Nesse contexto, a avaliação emerge como “diagnóstico” não do aluno, mas do processo ensino e aprendizagem, como afirma (CARVALHO, 200, P. 148): “A avaliação deve ser entendida como fonte principal de informação e referência para formulação de práticas educativas que levem a formação global de todos os indivíduos”. Assim, a proposta de educação inclusiva não representa um fim em si mesma, como se estabelecidas certas diretrizes organizacionais a escola melhorasse num passe de mágica, muito mais do que isso, se pretende a partir da análise de como tem funcionado o nosso sistema educacional, identificar as barreiras existente para a aprendizagem dos alunos, verificando às providências políticas, técnicas e administrativas que permitam enfrentá-las e removê-las.
Referências
CÓRIA-SABINI, Maria Aparecida. Psicologia do Desenvolvimento. São Paulo, Editora Ática, 2ª ed. 1998.

CARVALHO, Rosita Edler. Removendo Barreiras para a Aprendizagem. Porto Alegre: Editora Mediação, 3ª ed, 2003.

MACEDO, Lino de. Ensaios Pedagógicos: como construir uma escola para todos? São Paulo, Editora Artimed, 2005.

BRASIL. Secretaria de Educação Especial. Educação Inclusiva: Documento Subsidiário à política de Inclusão. Brasília: MEC, SEESP, 2005.

ALVES, Denise de Oliveira. Sala de Recursos Multifuncionais: Espaços para Atendimento Educacional Especializado. Brasília, MEC, SEESP, 2005.

MANTOAN, Maria Teresa Égler et. Alli. Caminhos Pedagógicos da Educação Inclusiva. Petrópolis, RJ: Ed. Vozes, 2004.

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[1] 1.Professora da Sala de Recurso da EMEIEF Ruth Rocha, graduada em Pedagogia pela ULBRA-Universidade Luterana do Brasil, com especialização em Psicopedadogia, cursando especilização em Educação Especial.
[2] 2. Professora da EMEIEF Ruth Rocha, graduada em Pedagogia pela UNIR- Universidade Federal de Rondônia, fazendo especialização em Psicopedagogia e Educação Especial.
[3] 3. Coordenadora da EMEIEF Ruth Rocha graduada em Pedagogia pela UNIR- Universidade Federal de Rondônia, fazendo especialização em Psicopedagogia e Educação Especial.


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